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Lutadores: combinação de físico e mente para máxima performance


Ao procurar artigos científicos sobre lutas, modalidades de combate e artes marciais, me deparei com o excelente artigo publicado no humankinetics.com, escrito por Mike Chapman e intitulado Wrestler combine physical and mental toughness for optimal performance (adaptando para o Português: Atleta de Luta Olímpica combina dureza física e mental para ótima performance). Resolvemos realizar adaptação científica e literaria desse artigo para o Mixed Martial Arts, Jiu-Jítsu, Submission Wrestling e Grappling. Esperamos que gostem.


Lutadores: combinação de físico e mente para máxima performance



"A mente e o corpo são uma coisa só", disse o especialista Jim Loehr, fundador do LGR Performance Systems, um centro de treinamento motivacional localizado em Orlando, Flórida. "Resistência mental não é apenas algo que você pode sentar em uma sala e visualizar e de repente você está mentalmente resistente. A capacidade de lidar com estresse físico nos leva direto para a capacidade de lidar com o stress mental e emocional ". Todos os lutadores tiveram dor em vários níveis, mental e fisicamente. Muitas vezes, eles aparecem juntos. Atletas de MMA, Jiu-Jítsu, Submission e Grappling devem lidar com inúmeras lesões, que vão desde simples equimoses (roxidão na pele), lacerações (cortes) até narizes quebrados, joelhos danificados e ombros luxados. Nenhum lutador que pratica o esporte por muito tempo vai escapar de uma lesão de algum tipo. Elas vêm de todas as formas e em vários graus de desconforto e seriedade.

Ronnie Clinton foi um dos lutadores mais talentosos de sua época. Vindo de Ponca City High School, ele construiu seu legado na Oklahoma State University, com seu estilo surfista, boa aparência e cabelo liso. Em seu primeiro ano ele não conseguiu baixar seu peso na programação regular. Ele competiu duas categorias acima da sua e terminou em terceiro lugar no campeonato nacional de 1961. Sua capacidade de competir efetivamente cerca de 23 quilos acima do que ele queria era um testemunho da sua determinação, comprometimento e força mental. O verdadeiro teste de resistência dele, na Luta Olímpica, foi contra Terry Isaacson, um atleta talentoso de Iowa, que também foi zagueiro do time de futebol da Academia da Força Aérea.Um dia antes da luta, um estranho acidente quase colocou Clinton fora do torneio. Enquanto ele se barbeava, sua mão escorregou e caiu sobre um espelho, estilhaçando o vidro. O resultado foi um grande corte na palma da mão direita, que exigiu numerosos pontos. Menos de 24 horas depois, Clinton foi para o combate com Isaacson, enfrentando a sua última chance de se tornar um campeão Nacional de Luta Olímpica. Ironicamente, Isaacson tinha sofrido um corte no supercílio em um combate anterior, e o corte foi reaberto na luta com Clinton. Tanto Clinton e Isaacson estava sangrando muito, e o combate foi interrompido várias vezes por longos períodos, para serem tratados. Discussão ocorreu em ambos os córners e com o médico responsável, indagado sobre o padrão das lesões e o tempo prolongado de sangramento.Clinton não poderia apertar a mão durante a luta inteira. Com sangue escorrendo de suas ataduras, ele conseguiu uma vitória apertada, muito disputada. Ele havia mostrado que não era apenas um lutador habilidoso, mas também mentalmente resistente e determinado. Tinha bloqueado a dor física e mental e as diversas dúvidas que devem tê-lo acompanhado na luta, o exigindo no seu mais alto nível. "Eu acredito que cada lutador pensou que o outro iria desistir e jogar a toalha, mas ninguem fez", lembrou Wayne Baughman. "Foi algo duro. Lembro-me bem porque eu estava aquecendo para apenas mais um combate antes da final e meu nível de ansiedade foi aumentado vendo essa luta. "

Em 1988 Rob Koll, da Universidade da Carolina do Norte estava enfrentando a sua última oportunidade para se tornar um campeão nacional, seguindo os passos de seu famoso pai, Bill, que conquistou três títulos na década de 1940 em Iowa State Teachers College. Rob tinha ficado em terceiro no ano anterior e estava determinado a superar-se. Mas ele feriu gravemente seu joelho em uma partida da primeira rodada na NCAA em Ames, Iowa. "Ouvi um som rasgando e ele realmente inchou", Koll admitiu mais tarde. "Mas eu disse que teria de perder a minha perna para me fazer parar."
Em vez de se dobrar, ele ficou mais resistente na medida que o torneio avançava. Agredido e mancando, ele marcou um ponto na final e recebeu a sua medalha de primeiro lugar de ninguém menos que seu pai, que foi convidado para apresentar os prêmios a todos aqueles de sua categoria.

Thomas Tutko, certa vez escreveu: "No atletismo e na natação em particular, o limiar de um atleta para tolerar dor pode ser tão importante quanto a sua capacidade técnica." Essa afirmação é totalmente pertinente a atletas de modalidades de combate. O campeão mundial e olímpico de Luta Olímpica John Smith, tornou-se familiarizado com a dor durante a sua carreira. Ele sofria de dedos quebrados, tornozelo torcido, lesões na cartilagem das costelas, um ombro separado, lesão nos ligamentos do joelho, orelhas de couve-flor, e articulação do quadril sensivel a dor. Mas Smith sabia, assim como os outros lutadores de alto rendimento, que as lesões são parte do jogo e que um lutador tem de aprender a viver com elas e bloqueá-las na mente.

Na cobertura dos Jogos Olímpicos de 1988, para o Chicago Tribune, o repórter John Husar observou o que ganhar uma medalha de ouro pode custar a um lutador como John Smith. "Seu nariz tinha sido quebrado terça-feira pelo búlgaro e Smith disse que nunca havia sangrado tanto", escreveu Husar. "Seus dedos dobrados e toscos já foram quebrados quatro ou cinco vezes e cada um aparecia novamente inchado, e seu ombro direito estava implorando por cirurgia artroscópica. Mas nada disso se comparava à seus glúteos, disse ele, que ficavam esfolados, sem pele, em função da sessão noturna de treino exagerada, para perder peso em liquidos, utilizando roupa de borracha enquanto pedalava na bicicleta ergométrica.

"" Ah, não é nada, realmente, "ele garantiu certa vez." "Todos os atletas passam por esse tipo de coisa. Dores vêm com o esporte. Você só tem que adaptar-se.

Adaptar é o que ele fez, e ocorreu novamente em 1992, quando ele estava à procura de sua segunda medalha de ouro olímpica. Desta vez, Smith estava enfrentando um tipo diferente de lesão. "Eu tive uma infecção em janeiro que me abateu demais", disse Smith em 2004. "Minha cabeça estava toda inchada, e eu tinha manchas nela também. Piorou gradualmente. Eu sofria de fadiga. Após apenas 15 minutos de treino, ficava esgotado. "Durante algumas práticas, parecia que minha cabeça ia explodir. Levou tudo que eu tinha mentalmente para passar nos Jogos Olímpicos. Teria sido fácil para alguns atletas simplesmente ir embora naquele momento, de se contentar com algo a menos. Mas eu não podia fazer isso. " "Lembro-me de repórteres perguntando surpresos se eu iria continuar, e eu pensei, 'Qual é o problema? "Sempre interpretei as lesões como parte do esporte."

A esse respeito, ele era similar a Dan Gable, que entrou nos Jogos Olímpicos de 1972 em Munique, com o joelho esquerdo severamente danificado. Na primeira luta, o adversário de Gable deu uma cabeçada nele, abrindo um corte que "exigiu" sete pontos para fechar. "Claro, isso machuca", disse Gable anos mais tarde. "Mas e daí? O ponto perdido na luta é que dói e é mais dificil você superar isso. Nunca me ocorreu que não era para machucar."

A dor é parte do negócio nos níveis mais altos. Os melhores atletas aprenderam a aceitá-la e ignorá-la, em muitos aspectos. "Todos os grandes atletas que conheci tinham um horizonte ilimitado para a dor", escreveu o fotografo-artista Roger Riger, em seu livro O Atleta memorável. "A dor é seu inimigo, mas nunca deve admiti-la, nunca discuti-la. Atletas no auge de seu poder tem de suportar a dor além de sua imaginação e superar sua capacidade de sofrimento para alcançar o seu máximo desempenho."

Leandro Paiva


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2 comentários:

  1. Vagner Pinhero- Fortaleza-CE
    O treinamento físico , técnico ,tático e PSICOLÓGICO leva o atleta ao ápice de sua performance para uma determinada competição.

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  2. Concordo Vagner. Certissimo! Volte sempre ao Blog. Abs

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