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Preparação Técnico-Tática no Jiu-Jitsu e MMA - Canhotos

Aproximadamente de 8 a 15% da população possui domínio de lateralidade esquerda (ou seja, são “canhotos”). Aparentemente, essa condição é mais comum em homens do que em mulheres. Além disso, estatisticamente, o irmão gêmeo de uma pessoa canhota tem 76% de chance de ser canhoto. Até o momento não existem explicações conclusivas sobre o fato de a maioria da população humana ser destra. Se sabe, por exemplo, que há apenas 26% de chance de seu filho ser canhoto, uma indicação de que a genética pode não ter um papel decisivo em determinar a lateralidade esquerda.

Desde os primórdios das batalhas corpo-a-corpo, os soldados eram treinados para se defenderem da grande maioria de seus adversários: os lutadores destros. Desse modo, com frequência os movimentos tornavam-se padrões. Se você é acostumado a lutar contra destros e obtêm vitórias, suas habilidades e reflexos estarão sempre voltados para combater um adversário destro. No entanto, combatentes canhotos eram verdadeiros “elementos-supresa” para os oponentes. Dentre outros, Alexandre, o Grande, considerado um dos generais mais brilhantes de todos os tempos... era canhoto!

Na atualidade, pesquisadores franceses defenderam uma tese de que os indivíduos com lateralidade esquerda, tiveram (e ainda têm) superioridade em batalhas. Para afirmar isso, basearam-se na análise de nove sociedades primitivas nos cinco continentes (e na prevalência de cidadãos canhotos nessas áreas, que tinham altos índices de assassinato). Concluíram o estudo revelando um fato curioso: os canhotos têm 27% de chance a mais de sobrevivência em situações de violência no mundo todo quando comparados aos destros.

Na antiguidade, os guerreiros seguravam suas armas com a mão direita, assim como 90% da população. Os soldados canhotos; entretanto, eram mais difíceis de serem derrotados, pois poucos combatentes tinham habilidades suficientes para lidar com a imprevisibilidade de suas ações.

Canhotos: vantagens nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate

Há muito tempo, no Boxe, já se reconhece as dificuldades de lutar contra adversários de lateralidade esquerda. Por exemplo, em 1947, Mike Collins (canhoto natural), saiu de seu canto em posição destra antes de mudar de repente para a esquerda e dar o primeiro e último soco do combate, derrubando seu adversário, Pat Brownson, em apenas 4 segundos de luta. Em estudo recente (Gursoy, 2009), 62 anos depois do fato descrito acima, foi verificado que a mesma vantagem continua ocorrendo pelo fato de o boxeador ser canhoto, obrigando os treinadores a ter de desenvolver treinamentos técnico-táticos específicos para que atletas destros consigam obter sucesso contra esses perigosos adversários. Nessa pesquisa, realizada com 22 boxeadores, verificou-se que os atletas canhotos, perderam, em média, 50% menos do que os destros. Os pesquisadores concluíram que os atletas canhotos nunca devem ser forçados a converter-se ao uso da mão direita e, em vez disso, deveriam ser apoiados, tanto verbalmente, em termos de equipamento e motivação, pois os dados obtidos revelaram que “ser canhoto” significava sucesso, especialmente no boxe. Podemos observar no vídeo-exemplo adiante, o temido boxeador canhoto Manny Pacquiao, apelidado nos Estados Unidos como “Mini Mike Tyson”.




No Mixed Martial Arts – MMA, a lista de lutadores canhotos bem-sucedidos é extensa. Dentre outros, destaque para: Lyoto Machida, Jens Pulver, Okami, Vitor Belfort, Rich Franklin, Takanori Gomi e Mirko Cro Cop. Quando um atleta de MMA destro enfrenta um canhoto, frequentemente, não está acostumado a lidar com a imprevisibilidade de suas ações. Entretanto, os canhotos têm costume de enfrentar adversários destros, incutindo por isso, vantagem competitiva tática. Recomenda-se, nesse caso, descobrir com antecedência quem será o adversário, para iniciar o quanto antes diversas simulações de treinamento (“sparrings”), preparando-se para todas as possíveis ações imprevistas. De fato, é outro tipo de preparação para a luta. Observamos no vídeo-exemplo adiante, pequena amostra da extensa gama de situações imprevistas, originadas pelo canhoto campeão do UFC, Lyoto Machida.




No livro “Pronto Pra Guerra”, dentre vários, apresento estudo realizado com elevado número de atletas de Judô, no qual foi verificado que, em lutas de projeção e de solo, também é vantagem competitiva o fato de ser canhoto. Os destros realizam os exercícios e golpes, em geral, na direção e/ou com o lado direito, e quando enfrentam alguém que luta com predominância do lado esquerdo, enfrentam dificuldades a ponto de neutralizar toda sua estratégia de luta. Um dos mais vitoriosos atletas brasileiros de Judô é canhoto: Tiago Camilo é octacampeão brasileiro, além de ter sido campeão pan-americano e mundial. Já no caso do Jiu-Jítsu, Submission e, mais recentemente, no MMA, o brasileiro Demian Maia que é canhoto – e campeão internacional nas três modalidades citadas –, costuma apresentar-se com bastante imprevisibilidade, criando verdadeiro “inferno” na vida de seus adversários (veja o vídeo-exemplo adiante).

Recomendo para atletas e treinadores de Jiu-Jítsu, MMA, Submission e Grappling que, assim como planejam os técnicos de Boxe, eventualmente (no caso de não ter em vista nenhum adversário canhoto) e "intensificadamente" (no caso de o adversário ser canhoto), realizem treinos técnico-táticos específicos atentando-se para as ações que os canhotos realizam, com atenção para duas questões: “quando?” e “de que forma?” eles as realizam nos combates competitivos. Se essas condições forem reproduzidas constantemente em situação de treinamento, será mais provável que não se tornem imprevistas nas competições.



Concluimos este longo artigo com a constatação de que, em competições onde o “lado” pode fazer toda a diferença, as vitórias dos canhotos podem ser creditadas também às suas condições. Além disso, outro fato poderia ser verificado: se a porcentagem do número de lutadores com condição de canhoto subisse, certamente a vantagem dos mesmos também subiria, proporcionalmente.

Leandro Paiva

Referência: Gursoy, R. Effects of left-or right-hand preference on the success of boxers in Turkey. British Journal of Sports Medicine, v.43, n.2, p.142-144, 2009.

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