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Lesões no MMA - Mixed Martial Arts



Aproveitando a mais recente entrevista do meu amigo Rogério Camões, na qual ele comenta sobre a recuperação do campeão do UFC, Anderson Silva, que teve de realizar uma cirurgia no cotovelo, resolvi apresentar os dados de um estudo realizado para identificar a incidência de lesões em eventos de MMA sancionados por comissão atlética. Os dados sobre as lesões foram colhidos baseando-se no relatório do médico responsável presente em cada evento. No total, verificou-se o índice de lesões acometidas em 171 combates. Estatisticamente, a taxa de incidência de lesões foi de 28,6 lesões para cada 100 combates. Diferente da situação do lutador Anderson Silva que apresentou histórico de lesão em longo prazo - lesão crônica -, não foram significativas as lesões no cotovelo, conforme os dados que seguem (Obs.: lesões com base no segmento anatômico):

1) Face - 47,9% (em função de lacerações ou cortes);

2) Mão - 13,5%;

3) Nariz - 10,4%;

4) Olho - 8,3%;

5) Ombro - 5,2%;

6) Joelho - 3,1%;

7) Cotovelo - 2,1 %;

8) Tornozelo - 2,1%;

9) Costas - 2,1%;

10) Pé - 1,0 %;

11) Pescoço - 1,0 %;

12) Orelha - 1,0 %;

13) Maxilar - 1,0 %;

14) Braço - 1,0%.

É interessante ressaltar que no MMA, comparado ao Boxe, existem poucas ocorrências de vitória por nocaute (KO). Uma vitória por KO geralmente implica que o adversário foi golpeado na cabeça com força suficiente para causar perda de consciência. Em contraste, uma vitória por nocaute técnico (TKO) ocorre quando o árbitro pára a luta, para preservar a integridade física do atleta, independentemente de seu estado de consciência. Um atleta que não consegue se defender adequadamente em razão de cansaço ou lesão justifica a interrupção pelo árbitro, inferindo em vitória por TKO para o lutador vencedor. No Boxe, simplesmente atingir o adversário na cabeça não é suficiente para o árbitro paralizar a luta. Submeter um adversário utilizando golpes de finalização inerentes do Jiu-Jítsu, também é relativamente comum no MMA, contribuindo para o fato de que, aproximadamente 1/4 dos combates terminam sem KO (minimizando as probabilidades de lesões cerebrais posteriores). De fato, segundo os autores desse estudo realizado para identificar a incidência de lesões no MMA, no Boxe ocorre o dobro de incidência de combates que terminam em função de um KO, comparando ao MMA. Em suma, os autores concluíram o estudo afirmando que, apesar da relevante incidência de lesões, sobretudo na face em razão de cortes ou lacerações, o MMA é uma modalidade profissional relativamente menos nociva para o atleta, em comparação com o Boxe Profissional.

Leandro Paiva

Referência: Bledsoe, G., H., Hsu, E., B., Grabowski, J., G., Brill, J., D., & Li, G. (2006). Incidence of Injury in Mixed Martial Arts Competitions. Journal of Sports Science and Medicine, p.136-142.

Observação: Neste post, apresento apenas pequena parte do artigo original. No livro
Pronto Pra Guerra, além desse artigo na íntegra traduzido para o Português, apresento ao menos outros 10, sobre a incidência de lesões no MMA e Jiu-Jítsu. Ainda, são informados meios e métodos para prevenção e tratamento de lesões, além de informações com profundidade sobre duas situações delicadas: (a) fisiologia, lesão e tratamento em decorrência dos golpes de estrangulamento; (b) como identificar e tratar no MMA, in loco, as lacerações (cortes) na face, interrompendo rapidamente o sangramento.

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