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Jiu-Jitsu e ansiedade

Bibiano Fernandes: com frequência apresenta estado emocional calmo antes do combate iminente.

De modo geral, na literatura científica na área de Psicologia do Esporte, encontramos informações nas quais se observa que a ansiedade nas lutas, quando moderada, é até desejável. O que ocorre é que níveis moderados de ansiedade aumentam o estado de alerta do atleta, aumentando o foco, atenção e concentração. Esses estados são correlacionados a melhor desempenho e, por isso, os lutadores devem ser ensinados para perceber que nível moderado de ansiedade é, de fato, boa condição para o(s) combate(s) que se aproxima. Entretanto, situação totalmente inversa pode ser observada no caso de ansiedade excessiva (denominada de ansiedade somática), principalmente quando acentuam os sinais físicos em resposta à ansiedade. Geralmente se observam sinais como: aceleração excessiva e/ou repentina dos batimentos cardíacos, aumento da pressão sangüínea, aumento da tensão muscular, dificuldades respiratórias, sudorese excessiva, enjôos e náuseas. O período pré-competitivo pode influenciar diretamente o atleta, pois eleva alguns estados subjetivos promovendo reflexão, auto-avaliação, comparações, pré-julgamentos em relação ao(s) adversário(s) e problemas a serem superados. Nesse contexto, podem surgir inseguranças, receios, convicções e/ou certezas que são responsáveis pela manifestação do estado de ansiedade positiva ou negativa.

No livro Pronto Pra Guerra, apresentamos informações advindas de estudos realizados com atletas de Jiu-Jítsu, MMA, Judô, Luta Olímpica, além de outras modalidades, sobre a influência da ansiedade logo antes de o lutador entrar para competir, também denominada de ansiedade pré-competitiva. Nessas pesquisas, foi observado algo surpreendente: a ansiedade pré-combate era algo discriminante, ou seja, os atletas que reportaram estado emocional calmo antes de competir, em geral, obtiveram classificação de primeiro lugar. Os que reportaram estado de ansiedade excessiva, obtiveram classificação de segundo e terceiro lugares, ou mais atrás ainda (quarto, quinto, etc.).

Em estudo recente (Bernardi, 2009), foi investigado o nível de ansiedade em atletas de Jiu-Jítsu pré-competição. A pesquisa foi realizada com 32 atletas, sendo 7 do sexo feminino e 25 do sexo masculino. Para diagnosticar o nível de ansiedade durante a competição, foi utilizado um teste de ansiedade. Verificou-se que desse total de 32 atletas, 34% demonstrou nível de ansiedade mínimo, 38% apresentou nível leve, 25% nível moderado e 3% nível grave de ansiedade. Baseado nisso, percebemos que a maioria dos lutadores entrevistados apresentaram nível leve de ansiedade. Acreditamos que, possivelmente, esses resultados poderiam ser diferentes se o autor desse estudo aplicasse o teste antes de os atletas entrarem para competir, ao invés de realizar dias após, com menos influência de toda "pressão" observada no local de competição. Entretanto, o fato de a maioria dos atletas apresentarem níveis leves de ansiedade pode ser creditado também ao "ritmo" constante de participação em competições, ou seja, eles já estavam mais familiarizados com as situações competitivas, gerando menos situações de estresse relacionadas às competições.

Leandro Paiva

Referência: Bernardi, M. Nível de ansiedade em atletas de jiu-jitsu pré-competição. Pesquisa apresentada no Centro de Filosofia e Educação da Universidade de Caxias do Sul, 2009.


Observação: No livro Pronto Pra Guerra, além dos estudos citados neste artigo, relacionando ansiedade pré-competitiva e atletas de Jiu-Jítsu, MMA, Judô, Luta Olímpica, etc., apresentamos explicações acerca do trabalho de preparação psicológica, no qual o atleta é ensinado e estimulado para realizar rotina psicológica individual. Dentre outros, destaque para: mentalizações, concentração mental e regulação no nível de estresse.

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