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Perfil dos lutadores de MMA

Psicologia "da porrada": pouca gente sabe, mas o ex-campeão do UFC, Rashad Evans (à direita, de calção verde escuro), é graduado em Psicologia. Trocou o consultório pela grade do UFC.


Infelizmente o MMA ainda encontra focos de resistência contra o esporte, quer seja no Brasil ou nos Estados Unidos. Além da repugnância pelos combates em si, muitas vezes os que são contra gostam de apresentar argumento que para um atleta se "prestar" a participar de um esporte "brutal" como o MMA, é porque não deve ter tido outra alternativa na vida ou mesmo gostar de estudar. Será que estão certos?

Para verificar essa hipótese, dentre outras, o professor de criminologia da Universidade de Illinois (pesquisador), o norte-americano Ryan Williams - fã do esporte -, estudou por um ano o perfil de 28 atletas de elite de MMA nos Estados Unidos que é, atualmente, o país com a maior e mais concorrida indústria de entretenimento relacionada a essa modalidade. Os resultados foram surpreendentes:

* Apenas um lutador não tinha concluído o ensino médio. Dois tinham mestrado. A maioria tinha pelo menos alguma educação universitária;

* Os atletas não se consideravam bandidos nem tampouco criminosos e sim profissionais de Mixed Martial Arts;

* Ao contrário do Boxe, que atrai muitos de seus adeptos de locais conhecidos pela pobreza e criminalidade, no MMA, os atletas em sua maioria eram constituintes da classe média.

Baseado nesses dados, o autor concluiu seu estudo afirmando que o MMA é um esporte de risco e elevada adrenalina, mas que os atletas canalizavam em competições, não havendo problemas com as leis. Além disso, observou que a repugnância contra o esporte vem diminuindo drasticamente, desde que evoluiu e estabeleceu conjunto de regras que reduziu as possibilidades de violência marcada por traumas físicos e/ou excesso de sangue. Ainda afirmou: "O esporte em si não é tão violento quanto as pessoas pensam que é".

Para finalizar, Williams apresentou sua reflexão: "A estratégia de marketing é fazer as pessoas sentirem medo de tal modo, que mal conseguem entrar na sala para assistir. A impressão que fica é: "o MMA é violento". Entretanto, na prática a situação é bem diferente, como boa parte dos lutadores afirma: "mesmo se eu quisesse, as regras não permitiriam."

Atenção: este artigo é um breve resumo de pequena parte das informações contidas no Capítulo 5 do livro "Olhar Clínico nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate". No livro existem muitas outras considerações e referências. Para visualizar gratuitamente até 40 páginas do livro, acesse AQUI.

Leandro Paiva


Referência: Williams, R. A Good Clean Fight: Managing Tension Balance in Mixed Martial Arts Fighting. In: Annual Meeting of North American Society for the Sociology of Sport, Pittsburgh, Pennsylvania, USA, 2007.

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