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A volta da "taparia" no MMA?

Para muitos, independentemente da nacionalidade, de praticar esporte ou não e de qual modalidade, a temática "tapa na cara" é mais que um tabu, é sinal contemporâneo de humilhação. Para contextualizar com essa afirmação, ilustro esse artigo com o vídeo do incidente entre o lutador brasileiro de MMA Ricardo Arona e o russo Kareem Barkalaev, durante uma luta de Submission Wrestling em que o brasileiro acidentalmente tascou um tapa na cara do russo. Além disso, segue, resumidamente, a opinião do intelectual Joviano Caiado, publicada em seu blog:

"Não há agressão mais aviltante, humilhante, que o tapa na cara. Em qualquer situação o tapa humilha. Seja como revide ou não. Há um barulho estalado que chama a atenção de todos. Além disso... a marca que o tapa deixa: fica nas bochechas do infeliz as impressões digitais do agressor.

Prestem atenção: em qualquer jogo de futebol os jogadores, vez por outra, agridem seus adversários com cotoveladas e pontapés. Dificilmente alguém revida. Mas, se alguém der um tapa no rosto de seu adversário... o tempo fecha!

O tapa na cara é semelhante ao pé-na-bunda: é a suprema humilhação. Ambos foram inventados para humilhar o coitado do agredido. Qualquer adolescente sabe disso: briga de macho é com soco e pontapé em qualquer parte do corpo, mas tapa na cara e pé-na-bunda não pode."

Já nos primórdios do até então Vale-Tudo no Brasil (o termo MMA surgiu muitos anos depois) nos treinamentos específicos para essa modalidade ou mesmo para Defesa Pessoal, imperava a lei de que não poderia ser utilizado soco, pelo elevado potencial traumático, causando com frequência lacerações ou cortes. Só valia utilizar tapas (ou "soco de mão aberta"). Informalmente, em função desse acordo entre cavalheiros, essa prática limitada no treinamento foi denominada de "Taparia".

Seguramente, todos os atletas brasileiros de Jiu-Jítsu, nas décadas de 80 e 90, que realizaram treinamento de Vale-Tudo, passaram pela tal "Taparia". Com a evolução do esporte e a prática de diversas artes marciais como Boxe e Muay Thai, além do Jiu-Jítsu, os treinos de "taparia", foram praticamente extintos. Ainda é praticado no máximo por atletas amadores ou em treinamento sem compromisso com o alto rendimento esportivo.

De fato, o tapa é valido em eventos de MMA, mas poucos atletas utiliza. No entanto, em estudo científico recente (Neto et al., 2009), foram observadas evidências que podem fazer com que atletas e técnicos mais bem informados tragam de volta a "taparia" para o MMA.

Nele, evidenciou-se que, num grupo no qual continha 3 atletas experientes e 7 intermediários (masculinos), os golpes realizados com a palma da mão foram mais fortes do que os com a mão fechada (socos). Os pesquisadores oriundos do Department of Health & Kinesiology (Texas A & M University - E.U.A), utilizaram para análise equipamentos sofisticados, tais como: duas camêras de captação de imagens em alta velocidade e célula de carga acoplada a saco pesado de Boxe, para mensurar a força de impacto.

Contudo, apesar dos achados, vale salientar que foram encontradas correlações negativas significativas entre os valores de força e precisão dos golpes e, também, dos valores de força e tempo de reação.

Leandro Paiva

Referência:

Neto et al. Force, reaction time, and precision of Kung Fu strikes. Perceptual and Motor Skills, v.109, n.1, p.295-303, 2009.

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