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Lesões na cabeça de lutadores são associadas a disfunções hormonais



Tive acesso a um artigo novo, em vias de publicação, no qual os pesquisadores verificaram se a reincidência de lesões traumaticas na cabeça em função de combates realizados pelos lutadores, poderia induzir disfunção na hipófise (glândula) associada com doença auto-imune.

Vale lembrar que doença auto-imune é a situação médica gerada por intermédio de uma agressão do organismo contra elementos constitutivos normais, pelos anticorpos. Se uma proteína normal do corpo, por exemplo, é reconhecida como estranha, o sistema imune desencadeia contra ela uma inflamação, buscando eliminá-la. Essas doenças geralmente surgem quando a resposta imunitária é efetuada contra alvos existentes no próprio indivíduo. A auto-imunidade como causadora de doença não é frequente; entretanto sua origem é complexa e multifatorial.

Em dados atuais de estudos relacionados com lutas, artes marciais e modalidades de combate caracterizadas por golpes traumáticos (Boxe, Muay Thai, Taekwondo, etc.), foi claramente demonstrado que pode haver associação entre reincidência de trauma na cabeça e baixa produção ou supressão de hormônios hipofisários (produzidos pela glândula hipófise). Contudo, os mecanismos relacionados com traumatismo crânio-encefálico (TCE) que induzem à disfunção pituitária ainda são incertos.

Com intuito de compreender melhor se os mecanismos de doença auto-imune podem desempenhar papel crucial na disfunção pituitária em razão de esportes relacionados com trauma na cabeça, os autores desse estudo investigaram a presença de anticorpos antipituitarios (APA) e anticorpos antihipotalâmicos (AHA) em pugilistas amadores.

Sessenta e um atletas participaram do estudo e, desses, 44 ainda participavam de competições. Dezessete deles já não competiam mais. Todos eram atletas masculinos com idade média de 26 anos e foram avaliados quanto às funções da hipófise anterior.

Resultados

AHA foram detectados em 13 dos 61 boxeadores (21,3%) e APA foram detectados em 14 dos 61 boxeadores (22,9%). A disfunção hipofisária foi significativamente maior nos boxeadores AHA positivo (46,2%) quando comparado com pugilistas AHA negativos (10,4%). Houve associação significativa entre a positividade e AHA hipopituitarismo em função do boxe. Não houve qualquer associação significativa entre a positividade de APA e hipopituitarismo.

Conclusões

O estudo demonstrou pela primeira vez a presença da AHA e APA em boxeadores, relacionando-as aos esportes com possibilidade de traumatismo craniano. Desse modo, forneceu evidências preliminares de que a AHA está associada com o desenvolvimento de disfunção hipofisária em boxeadores, sugerindo que a autoimunidade pode ter sério papel na patogênese (modo como os agentes que causam doenças agridem o nosso organismo e os sistemas naturais de defesa reagem).

Leandro Paiva



Referência:

Fatih Tanriverdi, Annamaria De Bellis, Marina Battaglia, Giuseppe Bellastella, Antonio Bizzarro, Antonio Sinisi, Antonio Bellastella, Kursad Unluhizarci, Ahmet Selcuklu, Felipe Casanueva and Fahrettin Kelestimur. Investigation of antihypothalamus and antipituitary antibodies in amateur boxers: is chronic repetitive head trauma-induced pituitary dysfunction associated with autoimmunity? European Journal of Endocrinology, (2010) In press.

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