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MMA: capacete protege nos sparrings?



No Boxe amador e no Taekwondo, dentre outras modalidades de combate, a utilização do capacete de proteção de cabeça (denominado em Inglês "Headgear Protection") é obrigatório em competições oficiais.

No entanto, em lutas profissionais como o Mixed Martial Arts - MMA e o Boxe Profissional, não é permitido o uso do capacete por motivos distintos aos fundamentos ético-desportivos: os promotores e organizadores sabem que o público prefere ver em detalhes os efeitos dos golpes (e prejuízos) ao adversário.

Apesar de algum desconforto no uso e de não poder utilizar nos eventos, muitos atletas recorrem à utilização do capacete - na esperança de maior proteção quanto às lesões, prolongando a carreira esportiva - em situações de treinamento, principalmente nos Sparrings (simulação de combates competitivos), quando a possibilidade de ocorrerem lesões desnecessárias em função do acirramento, nesse contexto, torna-se mais evidente.

No meio das lutas, artes marciais e modalidades de combate (leia-se: técnicos e atletas), as opiniões quanto ao uso e real proteção proporcionada pelo capacete de proteção, nunca esteve perto de um consenso. Enquanto uns alertavam sobre a excelente proteção, outros alegavam que o capacete não protegia de nada ou quase nada.

Resolvi me concentrar no assunto e encontrei diversas pesquisas realizadas para responder a essa questão crucial: capacete protege ou não nos sparrings? Dentre todos os estudos que achei, encontrei um que, mais do que os outros, despertou e muito minha atenção. Foi realizado por uma equipe de pesquisadores ladeados pela Dra. Cynthia Bir, a mesma que integra o corpo de cientistas da série "A Ciência das Artes Marciais", produzida pelo canal National Geographic - Natgeo.

Nele, os autores explicaram que os capacetes e luvas foram introduzidos nesses esportes com intuito de minimizar as lesões na cabeça pelo fato de o acolchoado ajudar a absorver parte da energia dos golpes.

Para o estudo, recrutaram 27 atletas de elite (boxeadores) e utilizaram um boneco de testes (o mesmo utilizado em testes de colisões automobilísticas). Foram avaliadas e comparadas (com e sem a utização do capacete de proteção) as seguintes variáveis:

* Pico de aceleração linear e angular na cabeça em função dos socos;

* Força de impacto dos socos;

* Velocidade de impacto dos socos;

* Critérios de lesões na cabeça (em Inglês: "head injury criteria" -HIC).


Resultados

(sem o capacete/com o capacete)

* Pico de aceleração angular (rad/s2): 9164.10/5534.78;

* Pico de aceleração linear (g's): 78.04/51.79;

* Força de impacto (N): 4260.51/2815.59;

* Velocidade de impacto(m/s): 8.43/9.57;

* Critério de lesões na cabeça: 79.23/47.34.


Conclusões

Para todos os critérios, houve significativa diminuição dos valores com a utilização do capacete de proteção de cabeça. Constatou-se que a utilização de capacete reduz significativamente os efeitos deletérios dos socos sobre o adversário/sparring. Por fim, os pesquisadores concluíram afirmando que, não só o uso de luvas, mas também a utilização de capacete, são procedimentos bem eficazes na redução do risco de lesões na cabeça.

Portanto, baseado nesse estudo, finalizo com a seguinte pergunta: ainda vão continuar realizando sparrings sem capacete de proteção?


Leandro Paiva

Referência: Nathan Dau, Hai Chun Chien, Don Sherman, and Cynthia Bir. Effectiveness of Boxing Headgear for Limiting Injury. In: Annual Meeting of the American Society of Biomechanics, Virginia Tech, Blacksburg, VA, 2006.

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