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Preparação Física para competir ou competir para elevar o preparo físico?



Muitas vezes quando um atleta campeão retorna às competições após ausência em função de lesão ou outros motivos, ganhando ou perdendo, costuma alegar que sentiu um pouco de dificuldade por estar fora do "ritmo" de competições.

O que poderia ser esse tal "ritmo" de competições? Nesse contexto, a preparação física aumenta a capacidade de o lutador atingir melhor desempenho competitivo ou o fato de competir aumenta o nível de preparo do atleta?

Para tantos questionamentos, apresento algumas explicações baseado em algumas evidências encontradas no MMA, Jiu-Jítsu e em outras lutas, apresentadas no livro Pronto Pra Guerra.

O termo "ritmo" de competição, popularizado por lutadores, nada mais é do que a percepção subjetiva do atleta ao analisar seu rendimento e/ou seu estado atual de preparo físico, técnico-tático e psicológico, comparando com outros competidores adversários.

Geralmente, os atletas utilizam para estimar seu "ritmo" de competição as seguintes palavras precedentes: "mais", "menos", "fora", "dentro", "maior", "menor","melhor" ou "pior". Quantas vezes já não ouvimos lutadores em entrevistas explicar: "Não fui bem. Estava fora do 'ritmo' de competições" ou então "Apesar de estar parado há algum tempo de lutar, com menor 'ritmo' de competição, consegui a vitória".

Em diversos estudos foi observado que, nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades Esportivas de Combates, somente em competições era observada exigência fisiológica máxima. Em diversas variáveis biológicas analisadas verificou-se que apresentavam elevações significativas comparadas a valores em repouso e, principalmente, comparadas às simulações de combate (Leia-se: sparring - MMA e Boxe; "rola" - Jiu-Jítsu, Submission e Grappling; randori - Judô).

No Jiu-Jítsu, por exemplo, foram observados valores maiores da frequência cardíaca dos lutadores nas competições principais comparados a competições de controle. Já no MMA, foi observado significativa elevação do lactato sanguíneo dos atletas comparados a situação de treinamento (sparring), em especial quando a luta ia para decisão dos juízes, ou seja, completando o período total previsto para o combate (Ex: UFC - 3 rounds de 5 minutos ou 5 rounds de 5 minutos no caso de disputa de título/cinturão).

Além disso, similarmente, em estudos realizados com atletas de outras lutas, observou-se que eles apresentavam nas competições principais valores maiores de frequência cardíaca e lactato sanguíneo, além de maior grau de tensão psicológica.

A principal razão sugerida pelos autores desses estudos em função de ter sido observado diferenças significativas entre as avaliações em situação de treinamento (controladas) e competição, foi o componente psicológico. Versaram que, em função da pressão pela vitória e de outros fatores psicológicos oriundos das competições, ocorrem situações/solicitações fisiológicas mais exigentes para o lutador. Nesse contexto também foi verificado que, quanto maior a importância dada a competição, as exigências fisiológicas aumentam proporcionalmente.

Cientes dessas evidências, cientistas e técnicos de Modalidades Esportivas de Combate, em especial as que estão presentes nos Jogos Olímpicos (Boxe, Taekwondo, Judô, Luta Olímpica e Esgrima), começaram a utilizar como estratégia de treinamento, a inclusão do atleta em maior número de competições, dentre outros, com dois objetivos principais: 1) Familiarizar o atleta com diversos fatores psicológicos oriundos da competição; 2) Elevar o nível de preparo físico funcional (específico), pois somente nessas condições o atleta é exigido em nível superior ao verificado em treinamento, promovendo, consequentemente, elevados ajustes posteriores em seu preparo físico.

Desse modo, treinadores de atletas de elite (campeões internacionais e/ou olímpicos) de Luta Olímpica – estilos livre e greco-romano – determinam que esses lutadores participem de 50-70 combates distribuídos pelas competições oficiais ao longo do ano. Comparado a esses atletas, boxeadores de elite realizam quantidade bem menor de combates distribuídos anualmente (de 25-30 combates).

Além da competição principal (aquela na qual se espera o resultado máximo do lutador), podem ser programadas competições ao longo de todo período competitivo e, até mesmo, no período anterior, sob quatro perspectivas:

A) Competição preparatória – o intuito é adaptar o atleta à situação competitiva e ao planejamento técnico-tático. Geralmente é realizada internamente, na própria academia, mas nada impede que seja realizada em outro local;

B) Competição de controle – realizada com intuito de avaliar a capacidade do lutador e, caso necessário, realizar ajustes no treinamento. Pode ser realizada internamente na própria academia; contudo, para avaliação mais realística em conformidade com as situações competitivas, recomenda-se que seja realizada em local externo como, por exemplo, outra academia na qual o técnico ou o próprio atleta tenha relacionamento amistoso com os membros da equipe. Além disso, podem-se combinar os combates para o mesmo horário verificado na competição principal e aumentar os componentes psicológicos (Ex: torcida, córner, etc.);

C) Competição de ligação ou modelar –
competição externa, sem importância classificatória para o atleta, geralmente, caracterizada pela participação de atletas de nível regional;

D) Competição eliminatória –
competição externa de relevância considerável, pois é por meio dela que o atleta se classifica para as competições mais importantes.

Ressalto que a tendência atual na preparação de atletas de elite de modalidades de combate é utilizar as primeiras três perspectivas de competição – preparatória, controle e ligação – como principal forma de preparação para as competições eliminatórias e principais (Exemplos de competições principais: Campeonato Mundial de Jiu-Jítsu – CBJJ/IBJJF; Campeonato Mundial de Submission Wrestling – ADCC; Campeonato Mundial de Grappling – Fila; “Disputa pelo cinturão” – UFC).

Concluo afirmando que é altamente recomendável não só a realização da preparação física com intuito de competir, mas, também, de competir com intuito de elevar o preparo físico. Assim, como citado anteriormente, serão mobilizados poderosamente componentes físicos e psicológicos do atleta que, além de desenvolver estabilidade psicológica em referência às dificuldades do processo competitivo, aperfeiçoar as técnicas e táticas mais eficazes em competição, elevará seu nível de preparo físico, de acordo com o planejamento adequadamente manipulado visando a competição mais importante ou principal.


Leandro Paiva


Referência: Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.


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