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Treinamento em Altitude p/ Lutadores?

Lutadores realizando treinamento físico de madrugada em região de média altitude (até 2.500m acima do nível do mar).


Cientistas do esporte, preparadores físicos e técnicos de diversas modalidades estão sempre em busca de melhorar o condicionamento físico e, conseqüentemente a performance dos atletas. Em modalidades de combate não é diferente. Já faz alguns anos que equipes nacionais de modalidades de combate inseridas nos Jogos Olímpicos, como o Boxe e o Judô, introduziram em seu planejamento anual e plurianual a estratégia de realizar treinos físicos e técnico-táticos em região de montanha (média e alta altitude), para aumentar a capacidade física dos atletas quando retornam à planície (nível do mar) para treinos e competições.

Diversos atletas da equipe brasileira de Luta Olímpica realizaram treinamento a 2.400m de altitude na cidade de Colorado Springs, nos Estados Unidos, como parte da preparação para os Jogos Olímpicos de 2008. Lá, encontraram as equipes cubana, norte-americana, alemã, chilena, dentre outras. Essa mesma estratégia tem sido utilizada por atletas de modalidades profissionais como o MMA e o Boxe profissional.

Esse tipo de treinamento começou a ser analisado não só como fator decisivo para a eficácia da preparação visando competições em regiões de montanha, mas também como meio de mobilização eficaz das reservas do organismo e obtenção de um nível mais alto de condicionamento para participação de competições em regiões de planície.

Os atletas de elite Tito Ortiz e Quinton “Rampage” Jackson já revelaram à mídia especializada que parte de seu elevado preparo físico se deve por incluírem no planejamento de seu treinamento estadas em montanha a 2.058m acima do nível do mar, localizada na cidade de Big Bear – Califórnia, nos Estados Unidos.

Acredita-se que após treinamentos realizados em região de média-alta Altitude, ocorra aumento da potência aeróbia do atleta (VO2 máx.) e, conseqüentemente, melhora no desempenho. Essas condições são relacionadas ao aumento do número e volume de hemácias sanguíneas, conseguidos em função das condições hipóxicas (baixo oxigênio atmosférico) de exposição à altitude e à manutenção adequada da intensidade de treinamento, próxima à realizada ao nível do mar. Além disso, outro fator que pode contribuir para o aumento do rendimento físico é a melhora na economia do movimento, ou seja, na quantidade de energia necessária para manter a velocidade constante do movimento.

Já outros autores acreditam que após um período de exposição à altitude pode melhorar a economia do movimento, decorrente de maior eficácia no processo de excitação e contração muscular. Apesar das divergências sobre qual é o principal fator que leva ao aumento do rendimento físico após período de treinamento em altitude (aumento do número e volume de hemácias ou melhora na economia do movimento), há consenso na literatura de que o VO2 máx. e o rendimento de atletas após período de treinamento em altitude são aumentados.

Os efeitos da exposição à altitude são relacionados diretamente ao nível de altitude, podendo ser definidos de acordo com as alterações causadas no organismo:

A. Baixa altitude – 800-1.000m acima do nível do mar. Apenas são observadas alterações físiológicas com a utilização de cargas muito grandes. Os efeitos da hipóxia não são percebidos no repouso e com cargas moderadas;
B. Média altitude – Até 2.500m acima do nível do mar. Nessas altitudes, são identificadas alterações fisiológicas mesmo com o uso de cargas moderadas, entretanto, no repouso, ainda não são percebidos os efeitos da hipóxia;
C. Alta Altitude – Acima de 2.500m do nível do mar. Nessas altitudes, mesmo no repouso o organismo apresenta alterações fisiológicas pelo fato de aumentar a hipóxia.

De modo geral, tornou-se popular o mito de que o treinamento em altitude serviria somente para a preparação imediata para uma competição iminente. Entretanto, pode ser planificado fora do período competitivo. Atletas búlgaros de Luta Olímpica e Boxe profissional, por exemplo, realizam de 3-5 estadas anuais em altitude, com alguns desses períodos não coincidindo necessariamente com as competições principais. Portanto, o treinamento em altitude pode ser planejado considerando-se três objetivos:

1) Melhoria imediata da capacidade física visando competições eliminatórias e/ou principais;

2) Elevação da condição física durante as diferentes fases da preparação, independente de competições importantes;

3) Regeneração após ciclos competitivos muito fatigantes (Período Transitório – Fase Regenerativa). Nesse período, a intensidade é leve. Não há necessidade de manter a mesma exigência de esforço da planície, evitando, desse modo, sobrecarregar o atleta sob hipóxia. Além disso, alguns fatores da montanha (ar puro, isolamento, tranqüilidade, contato com a natureza, etc.) funcionariam como meios de recuperação física e psicológica. Ainda, mesmo no repouso, sob hipóxia o organismo aumenta a produção de hemácias.

Vale ressaltar que o sucesso de um período de treinamento em altitude depende de diversos fatores, dentre os quais, podemos destacar o nível atual do atleta, pois o treinamento em altitude como estímulo adicional pode gerar melhoras no desempenho em percentuais mínimos. Desse modo, é recomendável apenas para atletas de elite que já se encontram com nível de condicionamento elevado. Para esses lutadores, torna-se cada vez mais difícil romper com as barreiras de rendimento, justificando o treinamento em altitude, pelo efeito fisiológico e pela variedade do local de treino, oferecendo estímulo psicológico adicional para o treinamento.

Os treinamentos iniciados em região de média e/ou alta altitude devem ser pouco intensos nos primeiros 7-12 dias para os lutadores se acostumarem com a hipóxia.

Em estudo recente realizado com atletas de modalidade de combate, foram investigadas as mudanças em determinados parâmetros bioquímicos sanguíneos durante treinamento de 12 dias na média altitude a, aproximadamente, 2.300m acima do nível do mar.

Os autores observaram que, já nos primeiros dias e, mesmo realizando treinamento em baixa intensidade, houveram diversas mudanças nos parâmetros bioquímicos avaliados. Verificaram também que, a Glicose Sanguínea e Uréia avaliadas, foram parâmetros que variaram menos do que a Creatinoquinase (CK), sugerindo menor variação do metabolismo, mas mudanças mais elevadas relacionadas à dor muscular. A CK, praticamente, normalizou somente no décimo segundo dia de treinamento.

Outro parâmetro observado foi a elevação dos Hematócritos (hemácias no volume total de sangue). Foi observado aumento de 12,4% já no quarto dia de treinamento, comparado ao primeiro dia. Os autores sugeriram que essa alteração poderia ser relacionada à volume de plasma reduzido (desidratação) ou já como efeito estimulante da hipóxia sobre o aumento de glóbulos vermelhos.

Por fim, concluíram que o treinamento em média altitude resultou na redução progressiva de volume plasmático e moderadas flutuações nos parâmetros bioquímicos avaliados. Além disso, sugeriram que a monitorização dos parâmetros sanguíneos foi muito útil para observar individualmente as respostas biológicas dos lutadores no treinamento realizado em média altitude.


Leandro Paiva


Referências:

1) Obmiński, Z. et al. Resting biochemical parameters throughout 12-day training period at mild altitude (2300 m). Journal of Combat Sports and Martial Arts, v.1, n.2, p.37-40, 2009;

2) Paiva, L. Pronto Pra Guerra: Preparação Física Específica para Luta e Superação. Amazonas: OMP Editora, 2009.


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