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As modalidades de combate nos Jogos Olímpicos modernos


Um excelente e esclarecedor artigo publicado como capítulo de livro abordando as Lutas nos Jogos Olímpicos, pode ser observado neste post. Nele, o autor versa sobre particularidades bem interessantes, sem dúvida com implicações para estudantes, atletas, técnicos e fãs dessas modalidades. Apresentamos adiante os principais trechos do referido artigo.

Leandro Paiva



As modalidades de combate nos Jogos Olímpicos

Autor: Emerson Franchini

Ref.: Universidade e Estudos Olímpicos. 1 ed. Barcelona: Centre d'Estudis Olímpics, Servei de Publicacions, 2007, v. 1, p. 716-724.

Introdução

As lutas estão entre as mais antigas formas de atividades motoras sistematizadas. Inúmeras evidências demonstram a preocupação com o registro das técnicas de luta ou com os combates realizados. Exemplos desses registros podem ser vistos em diversos sítios arqueológicos com pinturas rupestres, além de registros mais detalhados na Antigüidade, como as representações da prática da luta no Egito, de representações de lutas nos Jogos Olímpicos da Antigüidade e de combates entre gladiadores em Roma (Poliakoff, 1987; Sayenga, 1995).

Muitas vezes, as origens de um determinado povo ou de um fato marcante de sua história são associadas a algum tipo de combate. É muito comum sua descrição por meio de uma lenda ou seu registro em obras literárias importantes.

Como exemplos, podemos citar o combate de boxe entre Epeios e Euryalos ou a luta entre Odysseus e Ájax, presentes na obra de Homero (Sakellarakis, 1982).

Na Antigüidade, o domínio das técnicas de luta, com e sem implemento, era muito importante para a manutenção e conquista de territórios. Assim, não é incomum encontrar todo um sistema de ensino e treinamento dessas técnicas em diversos povos desse período. Contudo, em tempos de paz, parte dessas técnicas foi ligeiramente modificada para formas mais amenas de combate, as quais poderiam ser praticadas com segurança e ainda assim manter os indivíduos treinados, algo muito importante se considerada a possibilidade de seu uso no campo de batalha.

Nesse processo, várias dessas técnicas passaram a ter características de “jogos”, com regras específicas, que atraíam o público por seu caráter espetacular, como ocorria com os Jogos disputados em Olímpia e os jogos públicos com gladiadores em Roma (Poliakoff, 1987). Na Idade Média, as justas substituiriam essas práticas proibidas pela Igreja Católica (Le Goffe Truong, 2003).

Na Idade Contemporânea, o Esporte moldou essas práticas a sistemas bem estabelecidos, especialmente, pelo fato de seu uso bélico ter sido colocado de lado em decorrência do grande desenvolvimento de armas que não mais exigiam o confronto corpo-a-corpo (Carr, 1993).

Lutas nos Jogos Olímpicos Modernos

Desde sua primeira edição em 1896, as modalidades de combate estão presentes nas disputas realizadas nos Jogos Olímpicos.

Dois aspectos importantes devem ser considerados nessa figura: (1) o número total de medalhas disputadas cresce mais aceleradamente do que o número de disputas de medalhas de ouro; (2) ainda não houve estabilização nas disputas envolvendo as modalidades de luta.

No primeiro aspecto, a explicação é bastante simples: tanto o boxe quanto o judô distribuem duas medalhas de bronze. O boxe começou a realizar essa forma de premiação a partir dos Jogos Olímpicos de Helsinque (1952) e o judô o faz desde sua inclusão no programa olímpico.

Além disso, ocorreram modificações no número de categorias tanto no judô quanto no boxe. Essa grande quantidade de medalhas distribuídas tem gerado a atenção de países que buscam melhor seu posicionamento no quadro de medalhas (mesmo considerando que o Comitê Olímpico Internacional não reconhece essa forma de disputa divulgada extensivamente na mídia).

No segundo aspecto, a não-estabilização se deve ao acréscimo constante de modalidades ao longo da história olímpica. Partindo, da esgrima e da luta nos Jogos Olímpicos de Atenas (1896) até os Jogos Olímpicos de Atenas em 2004, em nenhum evento seguido houve a repetição do mesmo quadro de competições envolvendo esse tipo de esporte.

Inicialmente, um fator essencial para a configuração desse quadro é o acréscimo de modalidades, o qual começou com o boxe nos Jogos Olímpicos de St. Louis (1904) e culminou com a inclusão do taekwondo nos Jogos Olímpicos de Sydney (2000). Contudo, além da inclusão de novas modalidades de combate, é importante ressaltar a presença das divisões por peso. Assim, a cada edição dos Jogos Olímpicos, houve a inclusão de uma nova modalidade ou a inclusão/exclusão de uma categoria de peso em um esporte já pertencente ao programa olímpico.

De maneira menos marcante, a inclusão das disputas femininas também auxiliou a modificar esse quadro. A primeira competição em um esporte de combate com a presença das mulheres ocorreu apenas em 1924, nos Jogos Olímpicos de Paris, com as disputas de esgrima. No entanto, em uma luta corpo-a-corpo, a primeira ocorrência foi no judô, em Seul (1988), como modalidade demonstração e finalmente em 1992, em Barcelona, como modalidade oficial.

Embora, essa ocorrência tenha aberto precedentes para a inclusão da disputa feminina na luta, presente apenas em Atenas (2004), é preciso notar que apenas no judô e no taekwondo as mulheres disputam o mesmo número de medalhas que os homens. Na luta, são feitas competições apenas no estilo-livre e em quatro categorias, enquanto no masculino a disputa é feita em sete categorias no estilo livre e sete categorias no estilo greco-romano. Na esgrima, existe competição em seis provas masculinas e apenas quatro provas femininas (contando, disputas individuais e em equipe em ambos os casos). No boxe ainda não existe disputa feminina. Portanto, acredita-se que esse quadro esteja longe da estabilidade, especialmente pela crescente participação feminina no movimento olímpico.

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