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Distribuição dos Impactos em Sessões de Lutas



Grande parte das lesões em esportes são causadas por impactos, principalmente quando se trata de esportes de combate, a exemplo do judô, mesmo que técnicas específicas de quedas (ukemi) sejam utilizados para minimizar o efeito dos impactos do corpo do judoca com o tatame. estudos demonstram que os impactos sofridos por judocas mediante projeções são considerados como fontes de severas lesões, haja vista a magnitude destes impactos medidos com acelerômetros no eixo vertical, em diferentes tipos de tatame (média de 260 g (aceleração da gravidade) no segmento mão; 12g no quadril e 280g no pé). assim sendo este estudo tem como objetivo analisar a distribuição dos impactos (quedas) sofridos entre o corpo do judoca e o tatame em sessões de treinamento de judô. mais especificamente objetivou-se identificar características dos judocas quanto à idade, tempo de prática, e graduação; a freqüência semanal e a duração das sessões de treino; o numero de quedas realizadas e como estas estão distribuídas na sessão, bem como associar o número de quedas com a graduação do judoca.

Metodologia

Participaram deste estudo descritivo diagnóstico, 13 judocas, sendo 09 homens, com idade entre 16 e 28 anos, média de 23,22 (±3,73) anos; 04 mulheres entre 14 e 20 anos, média de idade de 18,25 (±4,03) anos. todos atletas amadores de judô de duas instituições da grande florianópolis, brasil, que treinam regularmente e participam de competições, no mínimo, em nível estadual. a coleta de dados, após aprovação do comitê de ética da udesc foi efetuada nos locais de prática, onde os judocas que aceitaram participar do estudo assinaram um termo de consentimento concordando com os procedimentos deste trabalho. utilizou-se na coleta um questionário com questões abertas e fechadas com informações do sujeito e histórico de prática. para as filmagens das sessões de treino foram utilizadas duas filmadoras jvc de 30 hz, que ficaram dispostas em pontos específicos de forma a permitir visualização de todo o espaço de treino. a análise das imagens foi feita utilizando-se a videografia, cujos registros foram feitos numa ficha, individual, de escalte técnico, identificando as seguintes variáveis: número de quedas por sujeito; intervalo entre elas; tipo de técnica aplicada na projeção; tipo de amortecimento (ukemi) realizado e dominância lateral. os dados foram tratados mediante estatística descritiva (freqüência simples, média, máximo, mínimo, desvio padrão e coeficiente de variação) e teste de qui-quadrado para verificar a associação entre graduação e número de quedas com o p≤0,05.

Resultados

O grupo apresentou média de: idade 20,73 (±3,51) anos (cv=20,12%); massa 72,92 (±16,55) kg (cv= 22,69%), cuja variação de idade e massa confirma as diferentes categorias (adulto, pré-juvenil e juvenil nas categorias que incluem de meio leve a pesado). quanto à graduação, sete sujeitos possuem faixa preta, dois roxa, um marrom, um laranja e dois amarela. o tempo de prática do grupo foi em média de 12,66 (±5,79) anos. a freqüência semanal é de três sessões, com duração média de 2 horas. no que concerne ao número de quedas, durante o aquecimento cada judoca realiza em média 25 (±4) quedas por treino, sendo que o grupo apresentou média de 81 quedas em três sessões de treinamento. durante as outras etapas da sessão de treino, cada judoca realiza uma média de 79 (±4) quedas por treino, sendo que o grupo apresentou uma média de 248 quedas nas três sessões de treinamento, com mínimo de seis e máximo de 47 quedas por treino. em relação ao intervalo de tempo entre as quedas, o grupo apresentou uma média de 13 (±18,1) segundos durante o aquecimento, com um máximo de 103 segundos, e mínimo de 1 segundo (cv=138,6%). durante as demais etapas, onde os sujeitos foram projetados, o grupo apresentou média de 69,8 (±132,6) segundos, com máximo de 873 segundos e mínimo de dois segundos (cv=189,7 %), evidenciando grande heterogeneidade do grupo em termos de intervalos entre as quedas. não encontrou-se associação significativa entre graduação e número de quedas efetuadas (χ2c=0,34).

Conclusões

Com base nos objetivos do estudo, no referencial teórico e nos dados obtidos chegou-se as seguintes conclusões: a) o grupo pesquisado possui características heterogêneas nas variáveis idade e massa; b) tanto a freqüência quanto a duração das sessões estão aquém dos limites utilizados por equipes de alto nível c) mesmo sendo o grupo heterogêneo em relação ao número de quedas por treino, pode-se considerar um número elevado de impactos, podendo os atletas estarem suscetíveis a lesões; d) não se pode afirmar que o intervalo de tempo entre as quedas seja suficiente para que o biomaterial se auto repare das possíveis microlesões advindas da repetitividade de quedas;e) pode-se perceber que durante o aquecimento nos treinos a freqüência de quedas é maior que nas outras etapas da sessão, porém o número de quedas é inferior as outras etapas do treinamento; f) parece que a graduação do atleta não interfere no número de quedas nem na distribuição destas durante o treino.


Por Sebastião Iberes Lopes Melo

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