VAGAS LIMITADAS!

Estratégias mentais para potencializar o treinamento




Cada dia de esforço e tempo dedicado ao treino determina o retorno do resultado desportivo que o atleta alcançará no futuro. Isto acontece porque à medida que o atleta vai acumulando o trabalho dos vários dias de treino, vai condicionando a sua mente e o seu corpo para ter um determinado desempenho com uma postura ou abordagem específica, transformando-se na sua atitude em competição.

Possivelmente existem atletas que treinam menos e nem tampouco se preocupam se estão a ter uma atitude promotora de bons desempenhos ou não, e ainda assim conseguem bons resultados. Mas para cada um destes, existe um milhão que não consegue.

Você não tem de ser um atleta profissional ou um campeão olímpico para ser um atleta bem sucedido. Nem tem que ter uma sala cheia de troféus, ganhar um campeonato nacional ou internacional.

Alguns dos atletas de sucesso implementaram programas de preparação mental, incluído, por exemplo, atletas de judo de nível regional, alguns de nível nacional e outros de nível internacional.

O que estes atletas têm em comum é que o desporto é importante para eles. Todos estes atletas estão comprometidos em serem o melhor que conseguirem no âmbito das suas limitações. Eles estabelecem metas ambiciosas, mas realistas para si e para com o treino duro e exigente. Eles são bem sucedidos porque estão perseguindo os seus objetivos e desfrutam ao máximo do seu desporto. A sua participação no desporto enriquece a sua vida, acreditando que vale a pena o esforço que colocam diariamente no treino.



São apresentadas 5 estratégias mentais que consideramos bastante relevantes no contributo que dão para o sucesso dos atletas. Podem todas ser aprendidas e melhoradas através de boas instruções e da prática regular e programada.


1. TRABALHAR A ATITUDE

Todos os dias o atleta deverá trabalhar no desenvolvimento de uma atitude poderosa em face ao treino duro e exigente que na grande maioria das vezes lhe causa dor e fadiga extrema. O objetivo aqui é não se focar no lado “negativo” do treino, mas sim focar-se sempre na recompensa que irá obter de todo o trabalho duro que realiza.

Deverá focar-te nas emoções e sensações que terá quando alcançar o resultado desejado, e que o treino árduo é sem dúvida o caminho para o sucesso. Assim estará a construir uma atitude confiante – “isto é fantástico, farei tudo o que tiver ao meu alcance e enfrentarei os desafios e a dureza do treino com coragem e alegria”. Este tipo de atitude irá “condicionar” e “programar” a mente e o corpo de forma implacável diante das adversidades e dificuldades até que consiga atingir os resultados pretendidos. Com esta atitude consegue construir um bloqueio às auto-sabotagens e de uma vez por todas não inventará desculpas sem sentido. O atleta deverá focar-se 100% na recompensa do seu treino, e não nos aspectos negativos.

2. TRABALHAR A TENACIDADE MENTAL

Por exemplo, se o corpo consegue suportar um período de luta com facilidade, mas a sua mente não, então estará com um grave problema para resolver – e isto é muito usual nos atletas. Terá então de desenvolver sua resistência mental para que não reduza o desempenho. É uma luta entre o corpo e a mente sempre que o treino é exigente. O atleta deverá relembra-se a si mesmo, usando as afirmações – “eu consigo lutar com facilidade” ou “mesmo em esforço eu consigo lutar até completar o tempo”.

Deverá construir uma mentalidade de combate à adversidade, para isso sempre que o treino esteja “difícil” deve usar a visualização e ver-se a fazer aquilo que pretende executar, permitindo automaticamente focar-se no que é importante e não na dor. Ao desenvolver sua resistência mental, aumenta largamente a capacidade de dar indicações a si próprio nos momentos difíceis, focando-se com discernimento naquilo que é importante para a obtenção de um bom resultado.



3. EXTRAIR OS ASPECTOS POSITIVOS

Uma das técnicas vulgarmente utilizadas por muitos atletas bem sucedidos é a revisão mental dos aspectos positivos no treino. Muitos utilizam a parte do treino dedicada à descontração, outros fazem-no no caminho para casa. O que é mais viável é o atleta fazer este exercício de forma sistematizada, e uma das formas eficazes de o realizar, é procurar um local calmo onde se possa sentar ou deitar de forma confortável, de preferência colocando-se num estado de relaxamento induzido e depois fazer o exercício mental.

Isto faz com que o atleta crie um hábito de concentra-se nos aspectos positivos do seu treino e daquilo em que ele é eficaz. Este exercício mental permite criar aquilo que em psicologia é denominado de “pista”, pequenas associações que se fazem, que permitem ligar os circuitos motores e neuronais da boa execução. As “pistas” (uma palavra, um gesto, uma imagem, uma sensação, ou outra coisa qualquer que o atleta escolha) são um estímulo muito poderoso que o lutador gravou na sua memória e que lhe associou um conjunto de movimentos, estratégias e emoções que o colocam no seu melhor estado para a realização das ações desportivas.

Os bons hábitos diários criam vias poderosas que aumentam a auto-eficácia do atleta e consequentemente o seu sucesso. Por este motivo o atleta deve propor-se a este exercício mental de extrair os aspectos positivos do seu treino, e associar-lhe uma pista poderosa para poder voltar a utilizar numa próxima sessão de treino e/ou em competição, aumentando-lhe a percepção de auto-eficácia e confiança e, consequentemente, a performance.

4. DIMINUIR OS EFEITOS DA DOR

Uma das maiores habilidades que a mente possui a favor do atleta é a sua capacidade de diminuir a dor. Todos nós possuímos no nosso corpo analgésicos naturais, similares aqueles que estão disponíveis nas farmácias. É bastante comum ler nos jornais que, algumas pessoas que perderam membros num acidente grave, relatam não sentir dores no momento do acidente, porque o sistema poderoso da mente, e o sistema imunitário, imediatamente libertam morfina e outros analgésicos para a área afetada, inibindo todas as sensações de dor da vítima.

Esta incrível capacidade da mente e do corpo pode ser facilmente utilizada por lutadores. Um dos aspectos mais fascinantes sobre os atletas é que a grande maioria já tem a sua mente preparada para sentir dor! Por exemplo, praticamente todos os atletas têm a noção dos seus limites e das suas capacidades e isto é realmente bom, pois permiti-lhes continuarem a esforçar-se para tentar ultrapassar esses mesmos limites.

No entanto, esta percepção de limites torna-se por si incapacitante em algumas situações, dado que o atleta já conhece a sua zona de sofrimento, ou seja, já sabe em que momento da sua prestação começará a instalar-se o desconforto e a dor. E isto é efetivamente incapacitante, pois mesmo que o atleta fosse capaz de continuar sem sensações desagradáveis, vai colocar-se num estado de incapacidade por indução, por auto-sugestão da dor, é como se a dor fosse virtual.

Com a utilização de técnicas apropriadas, o lutador consegue treinar e competir, não sem a total inibição da dor, mas reduz de forma substancial ou consegue aguentar a dor sem sacrifício da performance. Isto é possível de diferentes formas, mas uma das técnicas principais é a auto-hipnose para que a mente atrase o aparecimento da dor em período maior que o anterior.

Vai-se assim condicionando o atleta a atrasar o aparecimento da dor por intermédio de um conjunto de estratégias de auto-sugestão de distração e de dissociação da dor. Este método, tal como o treino físico necessitam de prática, e vai-se melhorando pouco a pouco até ao ponto de a dor não ser mais impeditiva de o atleta realizar performances para a qual o seu corpo é capaz.



5. EVITAR O EXCESSO DE INFORMAÇÃO

Os atletas possuem a habilidade de seletivamente focarem-se naquilo que pretendem. Esta característica mental torna-se preponderante na realização do seu desporto, exercício ou disciplina técnica, mas apenas se conseguirem dirigir a atenção para as “pistas” ou “atalhos” que promovem a boa performance. Igualmente significativo é perceber o que é que não é relevante para a execução de uma boa performance, e assim conhecer o que é motivo de distração e sabotagem de uma boa execução. Alguns dos atletas que realizam preparação mental, apresentam excesso de processamento de informação, sobrecarregando suas mentes com estímulos com os quais não conseguiam lidar em tempo útil.

A Informação em excesso, ou informação não significativa é enviada em forma de sinal ou estímulo para o corpo, podendo gerar alguma confusão. Este processo pode promover um estado de indecisão, culminando no fato de o corpo não executar movimentos ou resultados desejados.

Assim que consiga perceber ou identificar as pistas ou atalhos de performance e consiga de forma clara reconhecer as distrações e pistas ou informação não relevante, coloca-se numa melhor posição para conseguir atingir um estado de total imersão no seu desempenho. Atingir este estado, leva o atleta a conseguir colocar-se na sua Zona de Ótimo Funcionamento ou atingir a sua Zona de Foco. Pistas sem importância ou distrações como, por exemplo, pensar num golpe que errou, ou numa técnica inapropriada, assim como o que o córner poderá dizer, afasta o atleta daquilo que é importante focar-se para obter um bom rendimento.

Aprender novas habilidades e desenvolver novas capacidades leva tempo. Não importa se você está a aprender habilidades físicas ou mentais, a repetição e aplicação são necessárias nas práticas diárias de treino.


Autor: Miguel Lucas

Adaptação científica e literária: Leandro Paiva

Fonte: www.escolapsicologia.com

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