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Febre do MMA extrapola as academias e invade desde quintais de casas nobres a lajes na favela



Enquanto esperam ansiosos pela primeira edição do Ultimate Fighting Championship (UFC) no Rio, em agosto, jovens amantes do MMA (sigla em inglês para artes marciais mistas) promovem disputas... dentro de casa.
Pois é, a febre extrapolou as academias e agora invade desde quintais de bairros nobres, onde universitários improvisam tatames e organizam "luvinhas" (combates informais), até lajes de favelas, onde os praticantes de jiu-jítsu se reúnem para fazer um "chãozinho" (combates improvisados no solo). Como nas regras do filme "Clube da luta", dois lutadores se enfrentam sem camisa nem sapatos e, se alguém sinalizar ou gritar "para!", o confronto acaba.

Na casa do estudante de Administração da PUC-Rio Ian Rochlin, na Gávea, os treinos de muay thai rolam nas noites de segunda e quarta, sob o comando do mestre Caique Costa. Os treinamentos técnicos e físicos duram duas horas num tatame improvisado no quintal. Mas eles curtem mesmo as "luvinhas" ao final.

- Às vezes tem mais "luva" do que treino. É o que a galera prefere, é a hora de botar a parte técnica em prática e extravasar. Mas a gente pega leve porque todo mundo tem faculdade no dia seguinte - diz Ian, de 24 anos, faixa azul-escuro em muay thai e amarela em jiu-jítsu.


Nem tão leve assim. A proximidade da piscina já provocou situações cômicas, como quando Guilherme Telles, de 25 anos, foi derrubado dentro d'água.

- Dei mole, não consegui sair do soco e caí na piscina - conta o estudante de Design, faixa vermelha em muay thai e marrom em caratê .

Para segurar a onda da galera, mestre Caique põe ordem na casa. Com um cronômetro que imita o soar do gongo, ele controla o tempo das lutas e não deixa os moleques partirem para o vale-tudo.

- Marco rounds de dois ou três minutos para eles ficarem bem condicionados. No meu tempo eu treinava dando canelada em poste, e a divulgação das academias era voltada para ser bom de briga de rua. Hoje é mais profissional: chegaram à conclusão de que é melhor ganhar dinheiro com eventos organizados do que sair na porrada - explica Caique, fundador da Liga Carioca de Muay Thai, com MBA em gestão de negócios voltada para a luta.

A mudança de perfil permitiu que meninas delicadas como Gabriela Westerlund, de 23 anos, entrassem para o grupo. E ela dá trabalho aos homens.

- Muitos meninos não me levam a sério, mas, quando veem que eu sei lutar, engrossam. Meu pai tinha preconceito, achava que eu ia me machucar, mas depois passou a me apoiar - diz a mestranda em Bioquímica, faixa azul-escuro e assídua nas luvinhas.

O estudante de Direito Gabriel Jaber, de 26 anos, completa a galera. Faixa preta em judô e azul-claro em muay thai, ele se amarra em MMA.

- Sou viciado, mas nunca fiz vale-tudo. Às vezes brincamos de MMA e nos reunimos para assistir às lutas - conta.



No Morro Santa Marta, Alex Basílio, de 25 anos, sonha em entrar para o MMA este ano. Faixa roxa em jiu-jítsu e professor de muay thai, ele tenta conciliar as carreiras de ator e fotógrafo com os treinos e as "luvinhas" na laje de casa.

- Estrearia no MMA em 2010, mas fiquei dez meses parado. Agora estou retomando os treinos em casa. Ligo para o pessoal da comunidade, e marcamos "luvinhas" aqui na laje. A gente brinca de sair na porrada só para manter o ritmo e descontrair - diz.

Ex-aluno de muay thai de Alex, Edson Almeida, de 22 anos, tem vantagem quando leva a disputa para o chão. Faixa marrom em jiu-jítsu, ele é fã de MMA, mas ainda não se arrisca profissionalmente.

- Eu me amarro em ver as lutas, mas tem que treinar muito para subir no ringue. Treino de vez em quando, mas só de brincadeira - conta Edson.



Fonte: http://oglobo.globo.com/

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