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Luta Corporal Indígena



Não sabemos se o principal motivo é pela nossa latente descendência amazônica e fisionomia indígena aparente, mas o fato é que temos verdadeiro fascínio pela cultura étnica. Em especial, pelas culturas de origem ameríndia e africana, das quais colecionamos artefatos artesanais.

Vale ressaltar que, nesse contexto, as lutas corporais estão inseridas como papel relevante dentro de ritos e crenças que constituem a cara, corpo e voz desses povos.

Assim, neste artigo, optamos por versar sobre as Lutas Corporais Indígenas. Em outra oportunidade, já havíamos abordado neste blog que, bem antes do surgimento do Brasilian Jiu-Jítsu, Capoeira e, até mesmo das diversas lutas que aportaram no Brasil, já existia por aqui outras formas de luta.

De fato, as lutas mais antigas praticadas no Brasil podem ser consideradas, a princípio, as Lutas Corporais Indígenas que, diferente do que se imagina, em vez de importante fundamentação marcial (com técnicas bem organizadas para utilização em guerras), foram e são, majoritariamente, reveladas em disputas ritual-comemorativas.

Se considerarmos alguns registros antropológicos, nos quais revelaram presença de nativos organizados em tribos anteriores a 5.000 a.C, bem antes do descobrimento do Brasil, seguramente podemos afirmar que as Lutas Corporais Indígenas são as mais antigas praticadas em solo brasileiro.

Na atualidade, são realizadas por homens e mulheres, e está inserida na cultura de diversos povos indígenas como os Xinguanos, Bakairi e os Xavante, os quais realizam a Luta denominada de "Huka Huka".

Os Gavião Kyikatêjê/Parakatêye, do Pará, praticam o "Aipenkuit" e os Karajá praticam o "Idjassú".

Segundo especialistas da FUNAI, as Lutas Corporais Indígenas foram inseridas nos Jogos Indígenas desde a primeira edição, apenas como apresentação. Sempre foi grande o desejo de realizar uma competição de lutas corporais entre diversas tribos. Entretanto, essa possibilidade é pouco provável em função da grande diversidade de estilos de luta e técnica. Enquanto algumas etnias iniciam a lutam em pé, outras adotam o modelo de iniciar com os lutadores ajoelhados no chão, caso do Huka Huka.

O Huka Huka inicia quando o "dono da luta" caminha até o centro da arena de luta e chama os adversários pelo nome. Os lutadores se ajoelham girando em círculo anti-horário, até se entreolharem e se agarrarem, tentando projetar o adversário ao solo.

No Idjassú, os atletas iniciam a luta em pé, se agarrando pela cintura, até que um deles consiga projetar o adversário. O atleta vencedor abre os braços e dança em volta do oponente, cantando e imitando uma ave.

O Aipenkuit têm certa semelhança no desenvolvimento da luta com o Idjassú. Não existe um juiz, e sim um observador indígena denominado de "dono da luta", cabendo aos atletas, reconhecer a derrota, vitória ou empate.

Apesar de não existir pelas etnias prêmio para o vencedor da luta, há reconhecimento e respeito de todos. Não obstante, especificamente no caso do Huka Huka, aos grandes campeões é reservada a honra de participar ativamente do ritual denominado de Kwarup, no qual podem retirar um dos cintos de algodão de um tronco de árvore de mesma nomenclatura dada ao ritual.

O Kwarup é um ritual de homenagem aos mortos ilustres celebrado pelos povos indígenas da região do Xingu. O rito é centrado na figura de Mawutzinin, considerado o primeiro homem do mundo em sua mitologia. Como citado, Kwarup também é o nome de uma madeira. Originalmente, teria sido um rito que objetivava trazer os mortos de volta à vida.

Tipicamente o ritual inicia com a chegada de grupos de índios de diversas aldeias, em meio a muitas danças. Depois alguns índios vão ao mato e cortam um tronco de kwarup e constroem uma cabana de palha em frente à Casa dos Homens, e sob ela fincam o tronco no chão.

É na manhã seguinte que se inicia a outra etapa do ritual. Os índios se aglomeram e começam as lutas de Huka Huka, primeiro, entre os campeões das diferentes tribos e, depois, lutas simultâneas, principalmente, entre indivíduos mais jovens que ainda não se firmaram como bons lutadores. Existem relatos de que existem momentos nos quais haja perto de 30 lutadores, simultaneamente, em atividade.

É observado que muitos lutadores se pintam com traços de peixe no corpo e outros com traços de onça. As pinturas fazem menções à narrativa mitológica indicando a luta dos peixes contra as onças.

Para concluir e ilustrar melhor este artigo adicionamos adiante material audiovisual para apreciação dos leitores deste Blog.


Leandro Paiva



Referências

1) Revista USP, Dossiê Surgimento do Homem na América, n.34, junho/julho/agosto, 1997;

2) www.funai.gov.br


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