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Psicólogo no MMA



Jorge Luís "Marujo" é colega nosso de longa data. Pesquisador dedicado e psicólogo incansável quando o assunto gravita sobre lutadores, independentemente da modalidade escolhida. Está preparando um livro bem aprofundado e fundamentado sobre psicologia direcionada para lutadores. Sua base, ou melhor, o cerne, será suas constantes pesquisas conduzidas com atletas dessas práticas.




Em entrevista recente, citou sobre nossa "microscópica" contribuição ao seu trabalho científico (destaque em cores vermelhas, texto abaixo). Feito que nos torna eternamente gratos. Desejamos sucesso e que continue insistindo, "Marujo".





Leandro Paiva




Psicólogo prepara atletas como Erick Silva e “imprevisível” Anderson Silva





Por: Gleidson Venga e Alan Oliveira


Mens sana in corpore sano. A famosa frase em latim para “corpo são, mente sã” é sempre usada preconizar, especialmente no meio esportivo, a importância de se associar a atividade esportiva com um bom trabalho psicológico. Sabendo disso, os treinadores da X-Gym, academia carioca onde treinam, principalmente, os lutadores da Team Nogueira, trataram de delegar a um especialista a função de tratar a cabeça de seus cascas-grossas.


Enquanto Josuel Distak e Rogério Camões cuidam dos corpos dos atletas, Jorge Luis “Marujo” Ribeiro cuida de suas mentes. Jorge é psicólogo do esporte, e trabalha na Seleção Brasileira de Tae kwon do, com atletas como o medalhista panamericano Diogo Silva, e na X-Gym, com lutadores do nível de Anderson Silva, Ronaldo Jacaré e Erick Silva. Jorge traça perfis psicológicos dos lutadores, fornecendo dados importantes que possibilitam a equipe trabalhar os pontos fortes e fracos de cada atleta: "É um trabalho multidisciplinar, com avaliação psicológica. Caso os trabalhos da equipe com o dos atletas, e gero dados que me dão gráficos, para intervenção e ação nos pontos que precisam ser melhorados”, explica Marujo.





Na entrevista completa abaixo, Jorge Marujo explica mais sobre seu trabalho, diz como está o psicológico de atletas como Erick Silva para o UFC Rio, e crava cientificamente o que todos já imaginavam: “Não precisa ser especialista para saber que o Anderson tem um controle mental muito alto. Ele é altamente imprevisível, muda o jogo e sua característica. É complicado fazer uma leitura do Anderson”, rende-se Jorge.



Quando começou esse trabalho com lutadores?


Desenvolvi pesquisa, três anos nessa área, características de personalidades de artes marciais, especificamente em MMA, aplicando resultados de pesquisa na prática. A pesquisa começou no Paraná, e teve abrangência nacional, sendo analisadas características psicológicas de várias equipes. O início na X-Gym foi há 3 anos. Desenvolvemos uma pesquisa multidisciplinar, com Rogério Camões, Josuel Distak e Sílvio Behring, e outros profissionais que dão suporte a eles.



Quais lutadores participaram da pesquisa?


Erick Silva, Rafael Feijão, Ronaldo Jacaré, Anderson Silva e outros atletas que por aqui passaram. Também fiz esse trabalho com a Nova União e com o Ricardo Arona. Procurei os tops. Conversando com o colega Leandro Paiva, dividi os lutadores em Elite, Super-elite e Competidores. Pegamos os Super-elite, categoria bastante representativa, para trabalharmos com margem segura.





Qual a metodologia usada na pesquisa?


É um trabalho multidisciplinar, com avaliação psicológica. Caso os trabalhos da equipe com o dos atletas, e gero dados que me dão gráficos, municiando a equipe com informações práticas para intervenção e ação nos pontos que precisam ser melhorados.


E essa avaliação é feita no treinos mesmo?





São duas fases distintas: uma é a avaliação, aplicação de testes validados pelo Conselho Federal de Psicologia. A outra parte é observação através de scout. Faço levantamento do comportamento do atleta, de emprego de energia, e cruzam-se dados sobre características do atleta e seu rendimento.



E todos esses dados possibilitam traçar o perfil do atleta?


O resultado do gráfico fornece dados seguros das características relacionadas ao emprego de energia, ao nível de tolerância à dor e à frustração, à perda do foco. Com esses dados, a equipe técnica consegue reproduzir uma situação de luta próxima da realidade.





Então faz parte do seu trabalho ajudar os atletas a suportarem pressão, como a que o Erick Silva enfrentará novamente no UFC Rio?


Falamos até aqui da parte prática em termos de rendimento, da psicologia do esporte. Há também a questão da parte clínica, o cuidar do atleta. Tolerância à frustração, resistência à pressão. Nessa parte é feito um acompanhamento do atleta, eu converso com ele, procuro observar o comportamento e faço a escuta analítica. Fazemos então um acompanhamento psicoterápico.



Quão importante considera esse trabalho psicológico no rendimento do atleta?




O atleta mais bem preparado psicologicamente resiste melhor à pressão do público, da imprensa, de todos. Corpo e mente tem que estar em equilíbrio para o lutador render o que treinou.



Acha que esse controle psicológico seja um dos diferenciais do Anderson Silva, claramente mostrado na vitória sobre Chael Sonnen, por exemplo?





Não precisa ser especialista para saber que o Anderson tem um controle mental muito alto. Tolerância à frustração, resistência à dor, controle de ansiedade. Ele mantém essas características nos níveis ideais para um lutador. Não adianta, por exemplo, a pessoa ter um controle de ansiedade tão alto a ponto de não baixá-lo para agir no combate. Anderson é diferenciado também no fator psicológico. Ele tem traços de personalidade que contribuem para que ele seja o que é. Um desses traços é a imprevisibilidade. Ele é altamente imprevisível, muda o jogo e sua característica. É complicado fazer uma leitura do Anderson.



Tem algum outro atleta cujo controle psicológico você destaca, mesmo vendo de longe, sem acompanhá-lo?


Não consigo ver ninguém no nível do Anderson Silva no aspecto psicológico. Ele consegue manter vantagem na luta, vira resultados. Atletas que chegaram há pouco no topo, como José Aldo e Jon Jones, tem que ser melhor avaliados para sabermos mais sobre eles. Mas para estar no UFC e subir tão rápido, derrotando campeões, tem que ter algo de especial.



Fonte: http://portaldovaletudo.uol.com.br/

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