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Nas Artes Marciais cérebro é mais relevante que músculos?

Pesquisa recente mostra que o segredo de quem é graduado com a faixa preta não está na potência muscular, mas na capacidade de coordenar a velocidade máxima do ombro e do punho mediadas pelo cérebro.


Lutadores mais experientes apresentaram mudanças em sua estrutura cerebral. O poder cerebral, e não a força/potência muscular isoladas, pode explicar o fato de os especialistas em karatê conseguirem aplicar mais velocidade nos golpes. Segundo afirmaram os cientistas que realizaram o estudo (Roberts, E. et al, 2012), anos de treinamento em artes marciais alteram o cérebro.

Compararam golpes curtos aplicados por dez faixas pretas de Karatê com os golpes de 12 iniciantes, e descobriram que o segredo dos lutadores mais experientes estava na capacidade de coordenar a velocidade máxima do ombro e do punho. Essa interação permitia maior aceleração e impacto do golpe: "Os faixas preta de Karatê conseguiram aplicar seus golpes com um nível de coordenação que os iniciantes são incapazes de realizar", afirmou Roberts, professor do Departamento de Medicina do Imperial College de Londres.

Os cientistas escanearam os cérebros dos dois grupos e descobriram que aqueles que realizavam golpes mais fortes apresentavam mudanças na estrutura da substância branca, que transmite sinais entre as regiões cerebrais de processamento. Quanto mais prolongado for o treinamento, maiores são as mudanças cerebrais.

Concluíram que a sintonia das conexões neurais no cerebelo, região que controla a coordenação motora, permite sincronizar os movimentos do braço e do tórax de forma muito precisa. Também descobriram que a coordenação motora, tempo de experiência em artes marciais e a idade de início do treinamento influenciavam nas mudanças da estrutura da matéria branca dessa região cerebral dos lutadores.


Legenda do modelo experimental e resultados: (A) Para gravar o movimento dos participantes durante o experimento, os marcadores de infravermelhos foram colocados sobre os ossos dos punhos, cotovelos e ombros; (B) de cada lado do quadril e ao longo da linha média ao nível da vértebra lombar L5 e da vértebra cervical C7. Os participantes estavam sobre uma plataforma de força no solo e, nas tarefas quanto aos golpes de percussão, atingiam uma placa de força vertical com a mão direita; (C) A média de perfis de velocidade para o grupo de atletas experientes (faixa preta), imediatamente antes e após executarem os golpes; (D) A diferença temporal entre as velocidades de pico do punho e ombro da mão direita, a partir de uma distância de 5 cm foi significativamente menor no grupo de atletas experientes (cor azul) do que com iniciantes (cor branca).



Leandro Paiva


Referência: Roberts, E. et al. Individual Differences in Expert Motor Coordination Associated with White Matter Microstructure in the Cerebellum. Cerebral Cortex, 2012.

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