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Preparação Física p/ Lutadores: Kettlebell


Kettlebell (KBL) é a denominação ocidental para um tipo de peso com alça5 no qual sua origem é atribuída aos antigos eslavos orientais, antepassados dos russos, ucranianos e bielorussos.2 Registros históricos e arqueológicos apontam para evolução material das Gyrias (denominação eslava/russa), inicialmente confeccionada em pedra ou madeira, até a forma atual em aço ou ferro fundido, com aparência que lembra um projétil de canhão com alça.Existem indícios de que essas populações utilizavam-na como implemento fulcral da preparação para Artes Marciais.1,2



Após a publicação do livro Pronto Pra Guerra, nos cursos em que ministrava pelo Brasil, sempre apresentei posição contrária ao uso deste implemento. Minhas considerações se baseavam nas poucas pesquisas que existiam até então que, via de regra, comparavam estímulos com Kettlebell aos exercícios de Levantamento de Peso Olímpico - LPO.6 

Todavia, novas evidências fizeram com que refletisse e reconsiderasse. Sabe aquela história do ovo? Por anos considerado vilão e agora caiu nas graças da comunidade científica. Pois é. Ocorre que o mesmo neste momento pode ser atribuído ao uso de Kettlebell na preparação física de lutadores. Por que então utilizá-lo? 

Duas considerações relacionadas a lutadores podem influenciar na perspectiva de incorporar Kettlebells como preferência ou acrescidos a outros exercícios no escopo da Preparação Física. 

A primeira incide sobre a dinâmica muscular de contração-relaxamento-contração observada durante exercícios com Kettlebell,3 similares às verificadas em algumas técnicas de chutes e socos desferidos por atletas de elite de MMA.4 Em ambos ocorre um pico duplo de ativação muscular. Esse pico, também denominado pelos pesquisadores de “pulso”, consiste de uma curta contração muscular (“pulso”), seguida por uma fase de relaxamento e, em seguida, outro “pulso”. Os lutadores de MMA apresentavam o “pulso” ao iniciar o golpe, relaxavam no percurso e, no momento do contato no saco pesado de Boxe, acontecia outro “pulso”. 

Vale salientar que apesar desta similaridade ter sido descoberta pelo mesmo pesquisador, Prof. Dr. Stuart McGill (University of Waterloo - Canadá), ela foi acidental. McGill percebeu a equivalência entre ambos somente após averiguar os achados da pesquisa realizada com Kettlebells, conduzida dois anos após o estudo realizado com lutadores de MMA. 

A segunda consideração repercute sobre a semelhança de alguns movimentos. Apesar da limitação do KBL quanto à força máxima em razão de sua forma e tamanho, não permitindo, comparado ao LPO, muitos avanços referentes à sobrecarga, conserva característica inestimável para lutas: possibilidade de aplicar força rotacional em ações balísticas.

De fato, em documentário soviético raro7 realizado com campeões internacionais, são observados diversos estímulos com Gyrias. Dentre eles, podemos destacar os exercícios em que os atletas não só as levantavam, como também arremessavam liberando-as, realizando rotação e extensão do tronco, análogas a diversas técnicas de Luta Olímpica e MMA (a partir dos 4:10s do vídeo abaixo).




Por fim, ressaltamos que, no MMA, além das considerações anteriores, pode ser empregado para simular ações de força e velocidade na transição do solo para posição ortostática (em pé), quer seja no centro do octógono ou próximo das grades. Este exercício é denominado popularmente de "Levantamento Turco" (Turkish Get-Up) entre usuários de Kettlebell.




Atenção: este artigo é um breve resumo de pequena parte das informações contidas nos Capítulos 12 e 13 do livro "Olhar Clínico nas Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate"

No livro existem muitas outras considerações e referências. Para visualizar gratuitamente até 40 páginas do livro acesse AQUI

Leandro Paiva


Referências


1) Dmitriev, O. Of Russian origin: Girya. 2014. Disponível em: <http://russiapedia.rt.com/of-russian-origin/girya>. Acesso em: 23 de novembro de 2014.

2) Карабанов Є. О. Стан і перспективи гирьового спорту як олімпійського виду. Вісник Запорізького національного університету. Фізичне виховання та спорт. - 2013. - № 2. - С. 74-78.

3) McGill, S.; Marshall, L. Kettlebell Swing, Snatch, and BottomsUp Carry: Back and Hip Muscle Activation, Motion and Low Back Loads. The Journal of Strength & Conditioning Research, v.26, n.1, p.1627, 2012.

4) McGill, S. et al. Evidence of a double peak in muscle activation to enhance strike speed and force: an example with elite mixed martial arts fighters. The Journal of Strength and Conditioning Research, v.24, n.2, p.348-357, 2010.

5) Oleshko,V. Treinamento de Força: teoria e prática do Levantamento de Peso, Powerlifting e Fisiculturismo. São Paulo: Phorte Editora, 2008

6) Otto, W. et al. Effects of weightlifting vs. kettlebell training on vertical jump, strength, and body composition. The Journal of Strength and Conditioning Research, v.26, n.5, p.1199-1202, 2012.

7) Speed and power exercises for wrestlers – Soviet time documentary. Direção: URSS. Documentário, 16'05". Disponível em: . Acesso em dezembro de 2012.





3 comentários:

  1. Oi Leandro,
    Como parte da Equipe Arte da Força, ficamos muito felizes que tenha se aprofundado no assunto e assumido uma posição similar ao que falamos já há alguns anos. É visto que no Final do dia estamos ainda discutindo fisiologia e biomecânica básica!
    Abraço
    Thiago Passos
    Equipe ADF

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  2. Muito obrigado pelas considerações, Thiago Passos. Grande Abraço.

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  3. Valeu Leandro!
    Seu trabalho e seriedade são fundamentais para nossa área! Continua na luta!
    Abraçø e sucesso com o novo livro!

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