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Capítulo II - Livro PRONTO PRA GUERRA®

A luta como negócio

Desde os primórdios o esporte é dividido em duas direções. De um lado, priorizando condicionamento físico, como fator de higiene e saúde; de outro, a prática esportiva visando à competição. Essas duas direções estão bastante solidificadas no mundo atual, que acrescentou via mídia uma terceira variável: a do esporte como espetáculo. O esporte atualmente acompanha o desenvolvimento dos meios de comunicação e vice-versa. Um tem influência direta sobre o outro.

Apresentaremos a real dimensão do negócio da luta no Brasil e no Mundo – no contexto das modalidades enfatizadas neste livro –, tratando o esporte de combate com visão mercadológica atual para considerarmos: as variáveis que configuram esse cenário, tendência de profissionalização, investimentos e ganhos das organizações em torno dessas modalidades e a possível recompensa financeira dos treinadores e lutadores. Todos os profissionais, ligados direta e indiretamente a essas modalidades, precisam refletir sobre a perspectiva de negócio, caso queiram dar sua contribuição ao desenvolvimento desses esportes no Brasil e quiçá em outros países.

Quando o juiz dá o sinal para iniciar o combate e os golpes começam a zunir entre os dois atletas, um grandioso sistema entra em ação. Sem dúvida, cada luta apresenta cenário próprio e combinação específica de variáveis que determinam a vitória ou derrota de cada lutador. Expandir nosso campo de visão e compreender a luta como negócio são fundamentais para que possamos nos posicionar e entender melhor nosso papel dentro desse sistema.

Quer seja por paixão e/ou profissão, o leitor se localizará melhor nesse planeta chamado Jiu-Jítsu, Submission Wrestling, Grappling e Vale-Tudo, que são esportes, atualmente, classificados entre os mais populares, dentre diversas modalidades de combate existentes. Tudo isso, graças ao enorme interesse dos fãs e, consequentemente, da mídia em geral, especialmente pelo Vale-Tudo ou MMA tradicional. A influência da mídia no esporte, principalmente as emissoras de televisão e, mais recentemente, a Internet, é tão forte que pode até mudar as regras da modalidade. Maior exemplo disso é o evento UFC (Ultimate Fighting Championship) realizado nos EUA. Durante suas primeiras edições, as lutas tinham tolerância enorme de tempo e hoje, adaptadas a formato mais dinâmico na transmissão por assinatura (pay-par-view*), tornaram o tempo de luta muito menor do que o proposto inicialmente, para que o evento ficasse mais interessante aos olhos dos telespectadores.

Datas e horários dos eventos são marcados visando favorecer as transmissões ao vivo e se encaixar nas grades de programação dos canais. A “construção” de ídolos é outro grande achado da mídia especializada em eventos de luta, tanto para vender os espetáculos como chamar a atenção dos telespectadores, para que assistam à determinada competição.

As organizações, em conjunto com a mídia, precisam deles para tornar o espetáculo mais atraente, fazendo com que lutadores que realizam performances acima da média ocupem grandes espaços nesse contexto promocional. Por intermédio dos ídolos, a mídia incute às empresas para que os contratem e vinculem seus produtos à imagem dos atletas vencedores. Surge então o patrocinador, elemento vital no qual o esporte atual é dependente.

O patrocinador, por sua vez, quando vai patrocinar algum atleta específico, costuma dar preferência ao lutador que seja eficiente no ringue, mas que tenha comportamento exemplar fora dele, para carregar sua marca e divulgá-la sempre que possível.

Podemos afirmar que hoje, para ser transformado em negócio lucrativo, o esporte de combate no âmbito profissional, não poderá ser dissociado de espetáculo, pois sem espetáculo não há interesse da mídia, sem mídia não tem patrocinador e sem patrocinador, não tem dinheiro. Entretanto, em estudo recente realizado com mais de 2.700 fãs de MMA, observou-se que eles gostam mais dos aspectos competitivos e técnicos do esporte do que de sua “espetacularização”.

No início dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, o barão Pierre de Coubertin criou a célebre frase: “O importante não é vencer, mas competir”. No momento atual, se observarmos a combinação simbiótica do esporte com a mídia, podemos afirmar seguramente que o importante não é só ganhar uma competição ou mesmo competir e, sim, tornar-se “famoso”, aparecendo na mídia.

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