Capítulo VIII - Livro PRONTO PRA GUERRA®
Alimentação, Suplementação e Doping
Alimentação
Quando uma alimentação está mal balanceada ou é deficiente, o organismo sofre uma série de alterações metabólicas, bioquímicas e fisiológicas que podem contribuir para diminuir o rendimento e a adaptação ao treinamento.
A evolução do desempenho esportivo é substituída pelo surgimento de doenças, com manifestações clínicas e, em estados mais avançados, pode conduzir o lutador à síndrome de supertreinamento.
Apesar de parecer simples, a temática “nutrição humana” é bastante complexa, sendo esta composta por diversos fatores que devem ser considerados ao ser construído um planejamento alimentar. Nosso intuito neste capítulo não é explanar sobre dietas milagrosas ou esgotar o tema sobre como exatamente deve ser o cardápio do lutador.
Nossa proposta é fornecer orientação mais específica sobre quais alimentos serão importantes. Para cardápio estruturado e individualizado, o mais indicado é que o atleta procure profissional apto para tal planejamento.
É importante termos visão geral dos alimentos e sua divisão didática, integrada com dados científicos relevantes para compreendermos algumas informações que serão úteis para lutadores. Basicamente, os alimentos são classificados em seis categorias de nutrientes, cada qual com funções específicas para o organismo. Vejamos quais são eles:
1 – Carboidrato
Os carboidratos são armazenados nos músculos e no fígado na forma de glicogênio, que é a primeira e principal fonte de energia utilizada durante o exercício. Pelo fato de os estoques hepáticos e musculares serem limitados, a reposição de carboidratos precisa ser constante.
O carboidrato, enquanto na forma de glicogênio, exerce quatro importantes funções relacionadas ao metabolismo energético: (a) fonte de energia; (b) preservação das proteínas; (c) ativador metabólico; (d) combustível para o sistema nervoso central.
Nas modalidades de combate, o carboidrato torna-se fundamental e o tamanho dos depósitos de glicogênio é absolutamente determinante para o desempenho. A preparação de energia ocorre principalmente baseado no metabolismo de carboidratos, que flui tanto de forma anaeróbia quanto aeróbia. A conseqüência da reserva de glicogênio insuficiente para o exercício (incutindo a deficiência de substrato necessário para a produção de energia) é a fadiga precoce, principalmente nessas modalidades cuja via energética determinante durante a luta é anaeróbia lática.
Exemplos de carboidratos: frutas, pães, legumes, grãos, massas, cereais, etc.
2 – Proteína
É um dos nutrientes que desempenha maior número de funções nas células. Faz parte da estrutura básica dos tecidos (Ex: músculos, tendões, pele, unhas, etc.) e desempenha funções metabólicas importantes (Ex: assimilação de nutrientes, transporte de oxigênio, etc.).
Como o organismo não pode sintetizar proteína por meio de carboidratos ou gorduras (falta nitrogênio necessário para a síntese de proteínas), é preciso ingerir diariamente proteínas em quantidade suficiente.
É importante ressaltar que o consumo excessivo de proteínas (além dos valores percentuais recomendados) deve ser evitado, pois, caso contrário, pode haver comprometimento do metabolismo dos carboidratos, alterando a capacidade do lutador para treinar e competir.
Exemplos de proteínas: peixe, carne bovina, frango, ovo, leite e derivados, etc.
3 – Gordura
Apesar de as gorduras não representarem fonte energética determinante durante um combate, exercem papéis essenciais no metabolismo e, por isso, o consumo deve atender pelo menos as recomendações mínimas para este nutriente.
O percentual de gordura preconizado na ingestão diária, ou seja, até 20%, deve ser constituído principalmente de gorduras insaturadas. Deve ser evitado o consumo excessivo de gorduras saturadas e trans, no qual a ingestão diária máxima é de 7% (gorduras saturadas) e 1% (gordura trans). O consumo acima disso, desses dois tipos de gordura, pode elevar no sangue os valores de lipídeos nocivos ao organismo.
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